Leland
Cobain, de 80 anos, avô de Kurt Cobain, disse, em uma entrevista
ao jornal canadense Calgary Sun, que acha que seu neto não
tirou sua própria vida. "Eu acho que ele foi assassinado
sim", diz ele. Não foi só na entrevista ao
jornal que ele disse isso. Leland repete as acusações
em seu livro, chamado "Love & Death", escrito juntamente
com Ian Halperin e Max Wallace, embora não dê a elas
muita profundidade e nem acuse especificamente ninguém.
"Eu não tenho idéia de quem fez isso, mas eu
acho que a polícia de Seattle fez besteira. Eu não
consigo entender como é que ele tinha tanta droga dentro
dele e, ainda assim, conseguiu levantar uma arma. E eu não
consigo entender como seus maxilares não estavam todos
quebradors e tudo mais por causa do choque quando a arma disparou
e porque ela ainda estava em seu peito - ela deveria ter saltado
para longe do seu peito", diz Leland.
Essas teorias conspiratórias não são novidade.
O filme "Kurt & Courtney", de Nick Bloomfield, e
inúmeros sites na internet vêm falando a respeito
disso desde que o corpo de Kurt foi encontrado, na estufa da casa
que ele dividia com Courtney e a filha Frances Bean, em Seattle.
Entretanto, Leland diz que não foram essas teorias que
fizeram com que ele escrevesse o livro - foi seu último
contato com o neto. "Ele estava bem. Ele estava se aprontando
para a (última) turnê e, sinceramente, eu nunca vi
- ou nunca soube que ele estava - metido com tóxicos. Disseram
para mim que era tudo truque publicitário - era isso que
a mãe dele vivia me dizendo 'é publicidade, é
publicidade, ele não está mexendo com tóxicos'.
Eu acredito nela porque em todas as ocasiões em que eu
o veria, ele estava bem. E toda vez que ele voltava de turnê,
independente da hora que fosse - dia ou noite - ele aparecia em
casa para ver a vovó (a esposa de Leland, Iris, que morreu
há pouco e era muito chegada à Kurt)", diz
Leland. O repórter do jornal, então, pergunta se
Leland acha que Courtney Love teve algo a ver com a morte de Kurt.
"Pode ter tido", diz ele. "Eles tinham um acordo
pré-nupcial e, em caso de divórcio - coisa que ele
estava pronto a fazer - ela só teria aquilo que tinha antes
deles terem se casado", diz o avô. "A coisa que
precisa ser dita é que Cobain estava tão afundado
nas drogas naquele momento que ele estava se divorciando de tudo
em sua vida. Ele ia se divorciar de Courtney, ele ia desfazer
o Nirvana e ele ia demitir todo mundo que administrava seus negócios
- ele ia fazer todas essas coisas em determinados pontos. E ele
também ia se matar", diz Charles R. Cross, autor do
livro "Heavier Than Heaven".
Curiosamente, os autores do livro de Leland usam o livro de Cross
para reafirmar suas teorias, afirmando que existem discrepâncias
nele e, também, insinuam que "Heavier Than Heaven"
foi meio que escrito para limpar a barra de Courtney Love. Não
há nada que irrite mais Cross. "Eu não sou
amigo de Courtney Love. Eu apenas a conheço... mas eu não
mando cartões de Natal para Courtney Love", diz Cross
que afirmou abertamente que não pretende ler "Love
& Death" e que ficou bem irritado quando soube que é
citado por Leland. "Eu acho que o que posso dizer para registro
é que Courtney não leu meu livro antes dele sair,
não gostou de muita coisa que estava lá, ficou irritada
quando ele saiu e, porque eu não a chamo de assassina,
esses retardados sugerem de alguma maneira que eu sou parte de
uma conspiração e que sou um enaltecedor dela",
diz Cross. "Eu acho que isso é parte do porquê
de seu suicídio ter sido tão difícil de engolir
para algumas pessoas, porque Kurt era muito bem sucedido em fazer
seu próprio marketing como uma vítima do sucesso...
Por isso, infelizmente, acho que seu suicídio fez com que
as pessoas olhassem para ele como uma vítima de algum crime
que não foi cometido. Ele escolheu tirar sua própria
vida. Cada pequeno pedaço de prova aponta para isso e isso,
goste ou não, foi escolha dele. Nós podemos julgar
o ato ou dizer que custou bastante dor por parte de muita gente,
mas negá-lo, criá-lo como uma vítima de sua
própria morte.... isso tira a sua humanidade", diz
Cross.